Leialti minimalista.

domingo, 11 de janeiro de 2009

L-I-R-I-S-M-O

Ai, o lirismo, de que nos serve esse sujeito esguio que se passa por belo, numa palavra, num gesto, numa imagem não mais belos que quaisquer outros, que só se mostra para alguns e mesmo assim só onde o deseja. De nada nos serve, aí está. Quis eu escrever (e para quê?) e então comprara um pequeno caderno guardado em uma pastinha dura de mesmo tamanho, para que pudesse carregá-lo para todos os lugares sem dificuldade, e uma caneta de nanquim, como se a fluidez da tinta tivesse a propriedade de tornar também fluidas as palavras e fosse escrevê-las no meu lugar. Carrego o bendito caderno, um xodó, para todos os lados, dentro da minha mochila. Raramente toco-o e, quando o faço, é para dispor as coisas na mochila numa ordem outra que permita enfiar mais coisas que me parecem muito úteis, mas que acabam apenas ocupando mais espaço. Assim o fizeram diversos escritores, compraram eles suas máquinas de escrever, objetos em desuso, e por quê? Apenas pela estética de se escrever numa máquina de escrever. O lirismo. Talvez tenham digitado L I R I S M O várias vezes, esperando que as outras teclas fossem de encontro aos seus dedos e não o contrário e talvez tenham pensado "se ao menos eu pudesse carregar minha máquina comigo sempre, poderia escrever sempre que estivesse inspirado". Pois digo a eles, carrego comigo minha máquina e isso em nada me ajuda. Imagino o que farão os escritores do futuro, terão seu windows 95 ou 93 e uma fonte baixada no http://www.zipfontes.com.br/ ou no http://www.1001freefonts.com/ e dá-lhe control + c/v: lirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismolirismo lirismo






http://vaporiss.deviantart.com/art/Typewriter-105436609

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Esse texto poderia ser mais rico se eu pudesse usar fontes do meu computador, mas não o posso, eis a minha criatividade sendo restringida por esse mecanismo idiota. Eu teria imitado as letras da máquina de escrever e a fonte exótica no final, talvez escrito a primeira parte a mão, mas como não posso fazer tudo isso, prefiro nada fazer e apenas dizê-lo.

3 comentários:

Rianne Weser disse...

Eu suponho que a - vontade de escrever - seja tímida, então. Nada de cadernos ou máquinas, senão ela foge. Fazia muito tempo que eu não lia nada aqui e eu não acredito que tu ainda fale que não gosta do que escreve. Sem mais disso!

Carola Vaz disse...

lirismo: paixão compulsiva por lírios.

Bárbara disse...

Nossa, sei exatamente como se sente, acho. Eu arranjei um caderno lindo para rabiscar, mas quem disse que lembro de usá-lo? Toda hora que me pego desenhando ou é na borda de um livro ou numa folha de exercício, e lá está o caderno em branco. E quando abro o maldito caderno, não me vem nada que preste à cabeça, e acabo não tendo coragem de sujar suas lindas páginas com besteira. Ô raiva.
Mas você escreveu mais coisas nesse caderno? Ainda o tem?

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