"Can you take this..."
"Good night, mister" interrupted the doorman in an extremely unpleasant tone. Odds are that the habit of greeting everyone with a good morning, day or night got out of use when a man perceived he would have one of his arms much more stronger than the other, if he had to take out his hat for every single woman that passed by, unless he switched between arms. It is also a fact that the job of a doorman is ungrateful, lots of time for little money, so it's acceptable to the doorman to be upset.
"Uh, good night, I wanted to send these up to the 1922"*
"Why?"
"Excuse me?"
"Why do you want to send the cushions?"
"I can't understand what you mean..."
"Mister, if you want to send the cushions, you must have a purpose"
"Purpose? They are just cushions, they're going to be there..."
"No way, mister, they can't just be there. Lemme see these cushions, mister" and so the stripped cushions were handed to the doorman, black and white and black and white. The doorman looked at them carefully. "What do the stripes mean, mister?"
"Nothing, for Christ's sake, they are just cushions!"
Improvisating didn't occur to the man, it wouldn't be hard to do it. He could always say the cushions would oppose the harsness of the office desk chair, an antithesis, he could say the contrasting stripes represent the eternal duality of man, he could just say they would match the walls, after all they were black and white, and people are always saying black and white match all the other colors.
"Mister, I'm going to repeat this only once, the cushions go up only with a purpose."
"What the fuck! You must be kidding me... How do I speak with your boss?"
"These are orders from the tenant, mister, If I send them up and the tenant complain with the boss, I can even lose my job."
"From the tena... no shit, let me speak with Conrad!**"
"Can I know your reasons, mister?"
"I've already said, holy fuck, let me speak with Conrad, quick!"
And then a man appears at the entrance hall.
"Hi there, Gautier, fancy that, wait just a minute... and the cushions, did you brought them?"
"Well I brought, but this lunatic doorm..."
"Kafka, have any papers arrived?"
"No, mister Conrad, but this sir here wanted to send to your apartment some cushions, but I didn't allow it"
"It's ok, Kafka, the cushions are going to match the walls and the papers are from the Deny the Art for Art's Sake, no metric, free verses, everything in the expected."
"Alright then, mister Conrad"
"So, Gautier, do you want to go up for a cup of coffee?"
"I would certainly like that"
"Good... and what would be the purpose of this cup of coffee?"
"Excuse me?"
Leialti minimalista.
Outras baboseiras
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Frozen happiness(?)
To think that someday we criticized people who tattooed the name of their boyfriends and girlfriends in their legs, arms and breasts. It sounded so ridiculous to make a laser surgery to erase the letters burning in the skin. I wish all those photographies albuns would burn, all those photographies in which I don't seem to be so lonely. Don't misunderstand me, darling, I would give all this insignificant thing we call existence, all the space-time to live every single one of those moments only once, so I wouldn't turn your smile into those tears that fall from my face messing your make-up. I would give everything to live every moment only once, so your smile wouldn't ever seem to be from mocking me. And this pain, my love, I don't throw away because I'm afraid of only having this lonely me, I'm afraid of never holding you again and it doesn't seem to be another way.
Guerra de susto
- Que que a gente vai fazer?
- Brincar de guerra de susto.
- Como é?
- ...
- ... Alô?
- ...
- ...
- BU!
- AH!
- Tô ganhando!
Domingo, 23h20, o tédio reina soberano.
- Brincar de guerra de susto.
- Como é?
- ...
- ... Alô?
- ...
- ...
- BU!
- AH!
- Tô ganhando!
Domingo, 23h20, o tédio reina soberano.
Sr. e sra. Sarcasmo
- A Carolina dormiu aí?
- Dormiu sim.
- Quem é Carolina?
- É a namorada dele.
- Já foi embora?
- Já...
- E o esmalte vermelho que você estava ontem?
Nesse momento o garoto cogita a mera chance de explicar que aquilo não era vermelho, era gabriela, o que é um ótimo motivo para toda e qualquer pessoa usar esmalte, mas com todo o convívio que ele já havia experimentado com a família, não valeria a pena. Ele apenas mostra as unhas que são acompanhadas de um "já tirei". Como não podia deixar de ser, aquela tia que fala mais alto do que qualquer tia, mesmo quando todas estão falando ao mesmo tempo, se pronuncia.
- Olha, eu não quis falar ontem, não, mas esmalte, e ainda mais vermelho, é coisa de viado!
O garoto se encontra agora em um momento em que é impossível se fazer ouvir. Ele poderia dar motivos mil para estar com as unhas pintadas, embora nenhum fosse melhor do que estar com as unhas pintadas de gabriela. Entretanto, ele sabe que nada que ele dissesse faria surtir algum efeito. A família, que aliás nem era dele, à princípio, já está por demais entretida com o tópico homossexuliadade, ou melhor, como é decepcionante ter um filho homossexual. Todos eles sabem que é muito decepcionante, embora nenhum deles tenha de fato um filho homossexual, não que eles saibam, pelo menos. O garoto decide que é um bom momento para ir embora quando eles estão dizendo com convicção que é muito mais decepcionante ter um filho drogado.
Enquanto as vozes se distanciam, o garoto faz as contas de quantos primos nunca lhe ofereceram drogas. Fossem quantos fossem, era um número muito menor do que o de primos homossexuais. Ah, se ao menos a família soubesse (e de fato sabia) seria uma decepção. O que é que eles estavam discutindo mais cedo, mesmo? Ah, sim! Sobre a mudança do sobrenome para conseguir cidadania estrangeira... talvez ele devesse mudar para sarcasmo.
- Dormiu sim.
- Quem é Carolina?
- É a namorada dele.
- Já foi embora?
- Já...
- E o esmalte vermelho que você estava ontem?
Nesse momento o garoto cogita a mera chance de explicar que aquilo não era vermelho, era gabriela, o que é um ótimo motivo para toda e qualquer pessoa usar esmalte, mas com todo o convívio que ele já havia experimentado com a família, não valeria a pena. Ele apenas mostra as unhas que são acompanhadas de um "já tirei". Como não podia deixar de ser, aquela tia que fala mais alto do que qualquer tia, mesmo quando todas estão falando ao mesmo tempo, se pronuncia.
- Olha, eu não quis falar ontem, não, mas esmalte, e ainda mais vermelho, é coisa de viado!
O garoto se encontra agora em um momento em que é impossível se fazer ouvir. Ele poderia dar motivos mil para estar com as unhas pintadas, embora nenhum fosse melhor do que estar com as unhas pintadas de gabriela. Entretanto, ele sabe que nada que ele dissesse faria surtir algum efeito. A família, que aliás nem era dele, à princípio, já está por demais entretida com o tópico homossexuliadade, ou melhor, como é decepcionante ter um filho homossexual. Todos eles sabem que é muito decepcionante, embora nenhum deles tenha de fato um filho homossexual, não que eles saibam, pelo menos. O garoto decide que é um bom momento para ir embora quando eles estão dizendo com convicção que é muito mais decepcionante ter um filho drogado.
Enquanto as vozes se distanciam, o garoto faz as contas de quantos primos nunca lhe ofereceram drogas. Fossem quantos fossem, era um número muito menor do que o de primos homossexuais. Ah, se ao menos a família soubesse (e de fato sabia) seria uma decepção. O que é que eles estavam discutindo mais cedo, mesmo? Ah, sim! Sobre a mudança do sobrenome para conseguir cidadania estrangeira... talvez ele devesse mudar para sarcasmo.
Arte pela arte.
- Manda essas...
- Boa noite, senhor. - interrompeu o porteiro com um ar extremamente desagradável. A verdade é que o hábito de cumprimentar as pessoas com um bom dia, tarde ou noite se perdeu desde que o homem percebeu que se tivesse que retirar o chapéu para cada mulher que passasse, ele teria um braço muito mais forte que o outro, a menos que revezasse. Também é um fato que ser porteiro é um trabalho ingrato, longo e mal pago, não era de se esperar que ele fosse gentil.
- Ã, boa noite, eu queria mandar essas almofadas pro 1922.
- Por quê?
- Oi?
- Por que você quer mandar as almofadas?
- Eu não tô entendendo...
- Senhor, se você vai mandar as almofadas você precisa de um propósito.
- Propósito? Ué, são almofadas, elas vão ficar lá...
- Nada disso, senhor, não podem só estar lá. Deixa eu ver essas almofadas aí, senhor. - E então foram entregues as almofadas listradas, branco e preto e branco e preto. O porteiro as observou com algum cuidado. - O que significam as listras, senhor?
- Não significam nada, pelo amor de Deus, são só almofadas!
Não ocorreu em nenhum momento ao homem improvisar, não seria difícil. Ele poderia dizer, por exemplo, que as almofadas eram o contrapeso da cadeira dura do escritório, uma antítese, poderia dizer que as listras contrastantes representavam a eterna dualidade do homem, ele poderia dizer que elas iam combinar com as paredes, eram pretas e brancas, afinal, dizem que preto e branco combinam com todas as cores.
- Senhor, eu vou repetir mais uma vez, as almofadas só sobem se tiverem um propósito.
- Porra, cê só pode tá brincando comigo... como é que eu falo com o seu patrão?
- As ordens são do inquilino, senhor, se eu mandar e ele reclamar com o patrão posso até perder o emprego.
- Do inqu... puta que pariu, chama o Quintana aí.
- Posso saber o motivo?
- Já falei, porra, chama logo o Quintana!
Eis que nesse momento entra um homem na recepção do prédio.
- Opa, Olavo, que coincidência, só resolver uma coisa aqui... e as almofadas, trouxe?
- Trazer eu trouxe, mas esse porteiro malu...
- Seu Andrade, chegaram aí uns papéis pra mim?
- Não, senhor Quintana, chegou papel nenhum aqui não, mais esse senhor aí trouxe umas almofadas que eu não deixei subir não.
- Pode liberar, seu Andrade, as almofadas vão combinar com a parede e os papéis são do abaixo a arte pela arte, tudo fora de métrica, os versos não são rimados, tudo dentro dos conformes.
- Tá certo, seu Quintana.
- Então, Olavo, quer tomar um café?
- Hum, vou aceitar sim, Quintana
- Tá certo... e qual é o propósito desse café?
- Oi?
- Boa noite, senhor. - interrompeu o porteiro com um ar extremamente desagradável. A verdade é que o hábito de cumprimentar as pessoas com um bom dia, tarde ou noite se perdeu desde que o homem percebeu que se tivesse que retirar o chapéu para cada mulher que passasse, ele teria um braço muito mais forte que o outro, a menos que revezasse. Também é um fato que ser porteiro é um trabalho ingrato, longo e mal pago, não era de se esperar que ele fosse gentil.
- Ã, boa noite, eu queria mandar essas almofadas pro 1922.
- Por quê?
- Oi?
- Por que você quer mandar as almofadas?
- Eu não tô entendendo...
- Senhor, se você vai mandar as almofadas você precisa de um propósito.
- Propósito? Ué, são almofadas, elas vão ficar lá...
- Nada disso, senhor, não podem só estar lá. Deixa eu ver essas almofadas aí, senhor. - E então foram entregues as almofadas listradas, branco e preto e branco e preto. O porteiro as observou com algum cuidado. - O que significam as listras, senhor?
- Não significam nada, pelo amor de Deus, são só almofadas!
Não ocorreu em nenhum momento ao homem improvisar, não seria difícil. Ele poderia dizer, por exemplo, que as almofadas eram o contrapeso da cadeira dura do escritório, uma antítese, poderia dizer que as listras contrastantes representavam a eterna dualidade do homem, ele poderia dizer que elas iam combinar com as paredes, eram pretas e brancas, afinal, dizem que preto e branco combinam com todas as cores.
- Senhor, eu vou repetir mais uma vez, as almofadas só sobem se tiverem um propósito.
- Porra, cê só pode tá brincando comigo... como é que eu falo com o seu patrão?
- As ordens são do inquilino, senhor, se eu mandar e ele reclamar com o patrão posso até perder o emprego.
- Do inqu... puta que pariu, chama o Quintana aí.
- Posso saber o motivo?
- Já falei, porra, chama logo o Quintana!
Eis que nesse momento entra um homem na recepção do prédio.
- Opa, Olavo, que coincidência, só resolver uma coisa aqui... e as almofadas, trouxe?
- Trazer eu trouxe, mas esse porteiro malu...
- Seu Andrade, chegaram aí uns papéis pra mim?
- Não, senhor Quintana, chegou papel nenhum aqui não, mais esse senhor aí trouxe umas almofadas que eu não deixei subir não.
- Pode liberar, seu Andrade, as almofadas vão combinar com a parede e os papéis são do abaixo a arte pela arte, tudo fora de métrica, os versos não são rimados, tudo dentro dos conformes.
- Tá certo, seu Quintana.
- Então, Olavo, quer tomar um café?
- Hum, vou aceitar sim, Quintana
- Tá certo... e qual é o propósito desse café?
- Oi?
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Da honra.
Para a maior parte das pessoas isso pareceria insensato ou mesmo insano, mas para um dançarino que torce o pé durante um espetáculo, dançar até o fim, executando todos os movimentos com maestria e dissimulando a dor num sorriso, se assim for necessário, mesmo com o peso da contra-indicação de todos os seus companheiros dançarinos e do seu próprio instrutor, é apenas uma questão de honra.
Talvez esse texto se desnvolva mais.
Talvez ele fique melhor assim.
A propósito, este é o meu lado romântico, uma espécie de conduta samuraica aplicada à vida ocidental. Eu suspeito que ela não exista fora da minha cabeça.
Talvez esse texto se desnvolva mais.
Talvez ele fique melhor assim.
A propósito, este é o meu lado romântico, uma espécie de conduta samuraica aplicada à vida ocidental. Eu suspeito que ela não exista fora da minha cabeça.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Engano #54
Este conto, como a vida, começa no amor e termina na morte. O sarcófago é um bar temático, iluminado por velas e lustres decadentes, decorado por manequins monstruosos e os drinques parecem escuridão líquida, eles também têm gosto de escuridão, enfim, um lugar ideal para se pensar em algo sombrio.
- Vou juntar um dinheiro e viajar por aí, queria ir pra Europa, mas não sei, é muito caro. Depois, quando o dinheiro acabar, vou me matar. - Carolina é uma adolescente sentimental, vinda de uma família problemática, o tipo de pessoa que sofre por todas as gaivotas que tiveram a infelicidade de conhecer o petróleo - condições ideias para se ter idéias sombrias.
- ... - Yuri é um garoto não muito diferente de Carolina, gostaria de apreciar todas as coisas na vida que são feitas com paixão, mas por outro lado, não tem muitos amigos e está por demais apavorado para dizer alguma coisa. Mas consegue erguer as sobrancelhas.
- Que foi?
- Mas cê não precisa se matar, precisa? Quero dizer, cê pode arranjar alguma forma de conseguir dinheiro enquanto viaja, é só aprender algo, malabarismo, sei lá...
- É, talvez...
Talvez não é o tipo de resposta que agrada, quando a questão a morte deliberada de uma pessoa. Por isso um pouco de preocupação se ocupou da cadeira da dita Carol, quando a mesma foi embora. A preocupação não seria tão espaçosa em circunstâncias comuns, aquele tipo de conversa não era assim tão rara, mas desta vez eles estavam viajando e a garota não estaria simplesmente voltando para casa, ela estava indo para outra cidade, supostamente iria se encontrar com a família e ir para um fim de mundo onde moram as avós e o leite de vaca.
Como é a embriaguez de uma bebida que tem gosto de escuridão? Era o que Yuri estava prestes a descobrir. Quando abriu a carteira para verificar com quanto podia contribuir para a brincadeira que a mesa estava promovendo - qualquer coisa relacionada a bebidas alcóolicas e revelações da vida sexual dos participantes - a iluminação confusa do lugar fez com que um pedaço de plástico rasgado - era uma carteira velha - se parecesse com um bilhete de suicídio. Obviamente o plástico parecia apenas papel, mas na mente desesperada do garoto as linhas já eram lidas mesmo antes da constatação do engano.
Ele tinha que sair dali imediatamente, talvez pudesse encontrá-la na rodoviária. Havia uma linha turística que percorria a estrada real que levava a várias cachoeiras, se não a encontrasse pegaria este ônibus e seguiria a estrada, perguntaria pela menina de cabelo roxo pelas cidades em que passasse, não há muitas meninas de cabelo roxo em cidades do interior. Precisaria de dinheiro, sabia desenhar um pouco, muito pouco, mas talvez conseguisse alguma coisa com isso. Seguiria os rastros deixados, cidade após cidade, dormiria em bancos, se fosse preciso, tinha de encontrar a garota dos cabelos roxos e convencê-la, ele era esse tipo de pessoa. A encontraria observando uma cachoeira, não a mais bela ou a mais bonita, mas a que tivesse uma árvore especialmente charmosa bem próxima de sua queda ou uma formação de pedras em que se pode ver um cachorrinho, apenas se observadas por um ângulo muito específico por alguém de imaginação muito fértil, ela era esse tipo de pessoa.
- Não pode se matar, eu te amo!
- Então por que não me deixa ir?
Embora parecesse um franzir comum das sobrancelhas, elas diziam "porque amo mais o amor pelo amor que sinto por você". Talvez não fosse o suficiente para entender a resposta e talvez não é agradável, principalmente quando se trata da morte deliberadamente de alguém. O garoto tentou responder de outra forma, entrou na queda da cachoeira. Ele não sabia nadar.
Tocou o plástico finalmente, seus amigos já haviam decidido o drinque que iriam tomar, constatou o engano. Na cadeira ao lado, a prévia-preocupação-agora-amor-que-se-sente-pelo-amor estava ainda sentada. Mais uma vez constatou o engano. No sarcófago não havia uma queda de cachoeira onde se matar, mas, infelizmente, era um local propício para se ter idéias sombrias. Mais um engano.
- Vou juntar um dinheiro e viajar por aí, queria ir pra Europa, mas não sei, é muito caro. Depois, quando o dinheiro acabar, vou me matar. - Carolina é uma adolescente sentimental, vinda de uma família problemática, o tipo de pessoa que sofre por todas as gaivotas que tiveram a infelicidade de conhecer o petróleo - condições ideias para se ter idéias sombrias.
- ... - Yuri é um garoto não muito diferente de Carolina, gostaria de apreciar todas as coisas na vida que são feitas com paixão, mas por outro lado, não tem muitos amigos e está por demais apavorado para dizer alguma coisa. Mas consegue erguer as sobrancelhas.
- Que foi?
- Mas cê não precisa se matar, precisa? Quero dizer, cê pode arranjar alguma forma de conseguir dinheiro enquanto viaja, é só aprender algo, malabarismo, sei lá...
- É, talvez...
Talvez não é o tipo de resposta que agrada, quando a questão a morte deliberada de uma pessoa. Por isso um pouco de preocupação se ocupou da cadeira da dita Carol, quando a mesma foi embora. A preocupação não seria tão espaçosa em circunstâncias comuns, aquele tipo de conversa não era assim tão rara, mas desta vez eles estavam viajando e a garota não estaria simplesmente voltando para casa, ela estava indo para outra cidade, supostamente iria se encontrar com a família e ir para um fim de mundo onde moram as avós e o leite de vaca.
Como é a embriaguez de uma bebida que tem gosto de escuridão? Era o que Yuri estava prestes a descobrir. Quando abriu a carteira para verificar com quanto podia contribuir para a brincadeira que a mesa estava promovendo - qualquer coisa relacionada a bebidas alcóolicas e revelações da vida sexual dos participantes - a iluminação confusa do lugar fez com que um pedaço de plástico rasgado - era uma carteira velha - se parecesse com um bilhete de suicídio. Obviamente o plástico parecia apenas papel, mas na mente desesperada do garoto as linhas já eram lidas mesmo antes da constatação do engano.
Ele tinha que sair dali imediatamente, talvez pudesse encontrá-la na rodoviária. Havia uma linha turística que percorria a estrada real que levava a várias cachoeiras, se não a encontrasse pegaria este ônibus e seguiria a estrada, perguntaria pela menina de cabelo roxo pelas cidades em que passasse, não há muitas meninas de cabelo roxo em cidades do interior. Precisaria de dinheiro, sabia desenhar um pouco, muito pouco, mas talvez conseguisse alguma coisa com isso. Seguiria os rastros deixados, cidade após cidade, dormiria em bancos, se fosse preciso, tinha de encontrar a garota dos cabelos roxos e convencê-la, ele era esse tipo de pessoa. A encontraria observando uma cachoeira, não a mais bela ou a mais bonita, mas a que tivesse uma árvore especialmente charmosa bem próxima de sua queda ou uma formação de pedras em que se pode ver um cachorrinho, apenas se observadas por um ângulo muito específico por alguém de imaginação muito fértil, ela era esse tipo de pessoa.
- Não pode se matar, eu te amo!
- Então por que não me deixa ir?
Embora parecesse um franzir comum das sobrancelhas, elas diziam "porque amo mais o amor pelo amor que sinto por você". Talvez não fosse o suficiente para entender a resposta e talvez não é agradável, principalmente quando se trata da morte deliberadamente de alguém. O garoto tentou responder de outra forma, entrou na queda da cachoeira. Ele não sabia nadar.
Tocou o plástico finalmente, seus amigos já haviam decidido o drinque que iriam tomar, constatou o engano. Na cadeira ao lado, a prévia-preocupação-agora-amor-que-se-sente-pelo-amor estava ainda sentada. Mais uma vez constatou o engano. No sarcófago não havia uma queda de cachoeira onde se matar, mas, infelizmente, era um local propício para se ter idéias sombrias. Mais um engano.
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