Leialti minimalista.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

(In)felizes para sempre.

No decorrer de nossas vidas conhecemos muitas pessoas, mas dessas poucas pessoas, só nós dispomos a conhecer, de fato, algumas poucas, por um motivo ou outro que pode ser qualquer motivo realmente, como escolher livros, ou você os lê por indicação, ou se aventura diante da perspectiva que lhe concebe a análise superficial, a capa, a sinopse, as orelhas, os olhos, o sorriso... E por conseqüência são essas as pessoas que vêm a te conhecer verdadeiramente. As pessoas que irão receber o seu afeto. O seu pior lado. As pessoas que irão saber das suas tristezas, pois alegrias dividimos com todos, e tristezas apenas com aqueles que acreditamos que não irão nos abandonar e fugir ao primeiro sinal de desconforto. Curiosamente, as pessoas que derramam as lágrimas sobre os seus capítulos mais sombrios são aquelas que lêem as suas páginas até o final, as pessoas cujas lágrimas não se manifestam, seja molhando nossas páginas ou rolando para dentro de seus próprios frascos, incapazes de se mostrar, mas não de existir, as pessoas que só estão interessadas da certeza de finais felizes, elas não merecem estar ao nosso lado. Merecem apenas aquelas que podemos fazer sofrer. E em um processo contínuo as fazemos sofrer mais e mais, talvez para saber se ainda merecem estar ao nosso lado, se são leais, testamos-nas. Por outro lado, conhecemos também os motivos de agrado, somos tão capazes de recompensar como de testar. O contentamento do leitor advém das lágrimas que sente ao ler um livro até o fim. E o que é pior, afinal? Ter as suas páginas frágeis das lágrimas dos leitores que te acompanharam ou nunca ter sido lido até o final?

3 comentários:

c_thai disse...

por algum motivo pensei que as lagrimas deveriam ser colecionadas em frasquinhos de cristal. com rolha.

Raul Corrêa disse...

Bonito.

Não ouso dizer nada mais. x)

Bárbara disse...

Engraçado que você coloca esse texto na primeira pessoa do plural, como se fosse algo por que todos passam, e, no entanto, eu não me identifiquei com praticamente nada nele. Exceto, talvez, a primeira frase. Ha, no fim das contas, a diversidade humana nunca deixa de ser surpreendente...

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